6 de mai. de 2010

O Mundo

Às vezes não dá pra ser feliz

(do Blog Filosofia e Tecnologia - do meu ex-aluno Humberto)

Certa vez eu escrevi um artigo de psicologia, junto com uma psicóloga (Marilda), que batizamos de “Ás vezes não dá para ser feliz”. Este texto diz muitas verdades sobre a vida humana. Tem vezes que a situação que passamos e a dor que sentimos não permite que sejamos felizes. E parece que o amor se foi, abandonando a alma, a vida, o dia. Nestes dias o ambiente fica cinza, sem cor e sem sabor. Sabiamente Lenine coloca em seus versos da música na medida da paixão (que reproduzo alguns aqui):

É como se a gente
Não soubesse
Prá que lado foi a vida
Por que tanta solidão?
E não é a dor
Que me entristece
É não ter uma saída
Nem medida na paixão…

É como se a gente
Pressentisse
Tudo que o amor não disse
Diz agora essa aflição
E ficou o cheiro pelo ar
Ficou o medo de ficar
Vazio demais meu coração…

Sempre que fazemos escolhas e passamos por perdas, vivemos esta dialética da liberdade de viver o novo e de deixar para traz parte de nós. Somos atropelados por estes sentimentos, quando perdemos alguém querido (como a morte de minha mãe), quando mudamos de casa, quando mudamos de cidade e, principalmente, quando mudamos nós mesmos. Sempre sentimos o ar do novo, mas a dor do luto de deixar para traz parte de nós mesmo. Assim, fica vazio demais o coração, até para que o novo entre.

Não dá para ser feliz sempre, quando isto não é uma escolha, senão poderemos assumir nomes como cínico, dissimulado, maníaco, histérico ou mesmo ingênuo. Elaborar o luto, a mudança e a tristeza são essenciais para encontrar a verdadeira felicidade. Muitas vezes confundimos felicidade com alegria ou euforia. Existe uma diferença muito grande, a verdadeira felicidade vem de mãos dadas com a paz, enquanto a alegria, a euforia vem com o abafar da tristeza, que parece uma casca, uma máscara de porcelana.

A tristeza é o filtro da vida, que transforma a dor em lembrança e faz com que exista um continuar, para que o próximo momento possa ser repleto da verdadeira felicidade. Eu desejo a todos que amo um pouco de tristeza que fortalece e cura de verdade a dor. Espero que seja breve, mas suficiente para que encontrem a verdadeira felicidade.

Amo muito esta existência e em mim encontro as dúvidas e escolhas, tristezas e felicidades, razão e emoção, lucidez e insanidade, amor e ódio e por fim uma dialética que me consome e me acalma.

Este texto foi escrito para minha leitura de mim mesmo. Se servir para vocês… que sejam felizes.

Abraços,

Humberto

Tédio

"Se os macacos chegassem a experimentar tédio, poderiam tornar-se gente"
(Johann Goethe)

4 de mai. de 2010

Art-Gestalt de Norma Bar


Olá Analú, eu queria mostrar para turma algumas figuras que achei interessante na internet, e, agora com o blog acho que pode ser uma maneira de mostrar.São trabalhos de um ilustrador israelense chamado Noma Bar
"Brincando com o fundo e o primeiro plano em traços simples, ele consegue um impacto maior ao retratar questões das mais diversas, de figuras do entretenimento a temas políticos e sociais."
o site que tirei as informações foi http://www.sedentario.org/artedesign/a-arte-gestalt-de-noma-bar-25793 e tem um site com uma entrevista do ilustrador: http://grainedit.com/2010/03/17/noma-bar-interview/
(Ana Paula 4º período-psico)







30 de abr. de 2010

corporeidade



O que é corporeidade?
É o corpo invadido pelo pensamento e pela emotividade.
Por ela expressamos a vida nas suas dimensões física, psíquica e espiritual.
Em minha corporeidade feminina
sinto-me
um vaso de barro que contém moedas de ouro;
bloco de mármore
lapidado ao longo de mais de cinco décadas;
arca de emoções diversas;
templo que aninhou dois filhos
cujas escadarias já tinham sido lavadas no batismo.
Dizem que não há amor sem corporeidade.
Por ela eu toco a vida e a vida me toca.
Olho no espelho e
celebro os mementos das lutas vividas.
Em meu corpo minha alma não se aprisiona,
mas encontra abrigo e guarida.
Em meu pé direito a flor de cerejeira
marca a perenidade da relação com minha filha.
Isto é corporeidade...

Sísifo

Sísifo fora condenado, por Zeus, a incessantemente rolar uma pedra até o topo de uma montanha e quando já estava alcançando, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida e aí Sísifo tinha que retornar e iniciar tudo novamente... Os deuses sabiam que não havia nada mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.

Pense nisso...deve haver um sentido para o trabalho de subir a pedra, tantas vezes quanto for necessário, de modo que não nos sintamos inúteis e nem vejamos a vida como um absurdo.

JUVENAL ARDUINI

Gosto muito das obras do antropólogo uberabense, JUVENAL ARDUINI. Recomendo aos meus alunos a leitura dos seus livros, mas principalmente o último, Antropologia: ousar para reinventar a humanidade. Vejam, a seguir, a resenha de André Azevedo:

A rebelião antropológica proposta por Juvenal Arduini é uma reação à sociedade de massa que reproduz cópias, multiplica o modelo predominante, enquadra idéias, gestos e costumes. O autor chama de "clonagem sociológica" o fenômeno de auto-reprodução contínua dessa padronização cultural. Ele afirma que há inesgotável potencialidade para a humanidade tornar-se emancipada, autônoma; mas a pedagogia da submissão imobiliza a revolta autêntica. Arduini argumenta que é necessário resgatar o sentido positivo dos termos "insubissão" e "re-volta" – enviar de volta o que é devido, devolver, restituir a dignidade usurpada –; termos que foram estigmatizados pela mentalidade conservadora.
Arduini afirma que um comportamento adesista empobreceu o pensamento contemporâneo. "As pessoas aderem apressadamente a idéias, sistemas políticos, expressões culturais e credos religiosos", escreve. Essa adesão é incentivada pela sedução da publicidade maciça, de forma que "as pessoas incorporam atitudes introjetadas como se fossem decisões de sua própria vontade". A "adesão" é confrontada com o termo "opção". Ao aderir, o ser humano é conduzido por um modelo exterior; mas ao optar o homem afirma-se, assume responsa-bilidade intelectual, responde por seus passos e por suas conseqüências.
A precisão em que o autor analisa os conceitos é justa-mente um dos pra-zeres mais estimulantes na leitura do livro. Arduini tem a habilidade de erguer as palavras, desnudá-la, examiná-la exaustivamente e trazer de volta o significado autêntico do termo. Esse processo - chamado hermenêutica, ou "a arte de interpretar" - ele desenvolve sobretudo através da contraposição de conceitos que, por causa da distração do leitor, antes não pareciam opostos. O texto de apresentação da obra não exagera quando anuncia a "constelação de temas" que Arduini rege no livro. Através de referências à mitologia, filosofia e antropologia, o autor ilumina dimensões do raciocínio que normalmente encontravam-se escondidas na sombra do senso comum.
Um exemplo é a discussão sobre o problema da "diferença". Para ele, a diferença não é anormalidade nem distorção, mas originalidade que distingue personalidades. O autor escreve que há dois modos de interpretar os seres humanos: através do que possuem em comum e pelo que diferenciam. "Na primeira visão, os homens aparecem como repetidos. Na segunda visão, cada pessoa caracteriza-se por alguma singularidade. É o confronto entre a indiferença e diferença". De fato, o que é comum nos é indiferente. Somos naturalmente indiferentes às estatísticas que representam a miséria no país, por exemplo. A valorização da diferença impediria que a indiferença reduzisse os homens a coisas. "Ativar a diferença legítima entre pessoas, nações e culturas é avanço histórico da humanidade. (...) A indiferença tende a cancelar a diferença que incomoda", escreve. Saber conviver com as diferenças, portanto, é sinal de maturidade.
Arduini contesta valores engessados que tornam-se dogmas. Cita Jurgen Habermas, que analisa o dogma-tismo como incapa-cidade de auto-reflexão. "O dogmatismo é utilizado para sufocar o surto emancipatório e impedir a discordância", escreve. Ele refuta, por exemplo, a "paz" que amacia a exploração para torná-la tolerável. "A verdadeira paz gera a coesão orgânica da humanidade. (...) A pseudopaz mascara a realidade". Por pseudopaz, entende aquela paz que anestesia consciências para imobilizar os revoltados. "É moralismo vazio prometer paz aos que nada têm para sobreviver. Há momentos em que protestar é paz, e silenciar é antipaz." Para ele, paz não é sossego, concordismo ou cumplicidade. "Paz requer bravura". (André Azevedo)